Entrevista: Dra. Maria Cristina Izar para o Programa Bem da Terra

Entrevista da Dra. Maria Cristina Izar para o Programa Bem da Terra

Veja um resumo da entrevista concedida pela Dra. Maria Cristina Izar, Professora Afiliada Livre Docente Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular, Disciplina de Cardiologia, Universidade Federal de São Paulo, Vice-Presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia biênio 2016-2017 e membra do Conselho Científico da AHF, ao Programa Bem da Terra veiculado hoje (27/05/2016) na TV UOL, TV Terra Viva e TV Band Internacional.

A primeira pergunta entrevistadora foi: “O que é a hipercolesterolemia familiar”?

A Dra. Maria Cristina Izar respondeu informando que se trata de uma doença transmitida geneticamente, de forma dominante, e que pode causar risco elevado de vida aos portadores, levando, quando não adequada e precocemente tratada, a doença das artérias coronárias (angina do peito), ou a infarto do miocárdio em pessoas ainda jovens. A Dra. Maria Cristina Izar destacou que a herança dominante significa que esta doença é transmitida de pais a filhos, sem distinção de sexo, e que os descendentes de pai ou mãe portadores têm uma probabilidade de 50% de ter a doença. Assim, numa mesma família, pode haver muitos portadores. Esta doença se caracteriza pelo fato dos portadores terem, desde o nascimento, níveis elevados de colesterol no sangue; estes níveis elevados, se não forem adequadamente tratados, serão os responsáveis por doenças cardiovasculares precoces.

A pergunta seguinte da entrevistadora foi: “Como esta doença é diagnosticada”?

Maria Cristina IzarA primeira indicação para o diagnóstico é a dosagem do colesterol LDL, também conhecido como mau colesterol. Níveis sanguíneos iguais ou superiores a 190 mg/dl indicam um possível diagnóstico de HF; níveis sanguíneos de colesterol total acima de 310 mg/dl em adultos e, em crianças, acima de 230 mg/dl, também levantam suspeita deste diagnóstico. Outro dado que sugere o diagnóstico é a presença de muitos membros da uma mesma família com níveis elevados de colesterol LDL ou total. Outro dado que também sugere este diagnóstico é a ocorrência precoce de eventos cardiovasculares, como angina do peito, infarto do miocárdio, obstrução precoce de artérias de grande calibre, como a aorta, as artérias carótidas, a artéria femoral, etc. Alguns sinais clínicos também sugestivos de HF são a presença precoce do arco corneal e de xantomas (especialmente no tendão de Aquiles).

A seguir, a entrevistadora perguntou: “Qual é a prevalência da HF no Brasil”?

Disse a Dra. Maria Cristina Izar que, em nosso país, não há estudos que nos forneçam este dado. Todavia, estudos internacionais mostram que, atualmente, acredita-se haver 1 portador de HF para cada 200 a 300 pessoas da população geral. Transferindo estes dados para o Brasil, poderíamos ter atualmente cerca de 1.000.000 (um milhão) de portadores de HF no Brasil. Portanto, admitindo que esse dado seja confirmado, apenas 1% destes pacientes são diagnosticados.

A seguir, a entrevistadora pediu para a Dra. Maria Cristina Izar explicar o que significam o “bom” colesterol (HDL) e o “mau” colesterol (LDL). A Dra. deu então uma breve explicação do que é o colesterol, onde ele está presente no corpo humano e de que maneira ele é transportado no sangue (através das lipoproteínas), mostrando então as diferentes funções do HDL e do LDL.

Outra questão levantada pela entrevistadora foi sobre o tratamento e de que maneira ele deve ser feito. Lembrou a Dra. Maria Cristina Izar que, nos portadores de HF, o tratamento tem que ser medicamentoso (às vezes uma associação de 2 ou 3 fármacos) e é para toda a vida. Esse tratamento deve também incluir hábitos saudáveis, como a realização de exercícios físicos regulares e uma dieta adequada.

Finalmente falou-se sobre a Associação de Hipercolesterolemia Familiar, da sua história, seus membros, objetivos, dos patrocinadores e das realizações, como também do evento que ocorrerá amanhã (28/05/2016), em São Paulo, no Hotel Transamérica, das 13h00 às 18h00, e que é gratuito e aberto ao público.

Veja a integrada da entrevista no vídeo abaixo: