Tratamento de hipercolesterolemia familiar na gravidez

Tratamento de hipercolesterolemia familiar na gravidez

Durante a gravidez e a lactação, as opções terapêuticas da hipercolesterolemia familiar (HF) são bastante limitadas, já que as estatinas, a ezetimiba e o ácido nicotínico não devem ser prescritos. As estatinas não devam ser utilizadas durante a gestação, especialmente nos primeiros meses, onde o corre a formação do tubo neural, ou do sistema nervoso. Também não devem ser utlizadas a ezetimiba e o ácido nicotínico, por não existirem estudos sobre o uso destes medicamentos durante a gravidez.

Na gravidez ocorre um aumento dos níveis plasmáticos de lipídeos (25 a 50% de aumento dos níveis de colesterol e 150 a 300% de aumento dos triglicerídeos), e que se somam às concentrações basais de colesterol, já bastante elevadas em razão da HF.

O uso de outras medicações hipolipemiantes, mais especificamente das resinas, é possível quando há necessidade clara da manutenção de tratamento medicamentoso com provável benefício. A colestiramina e o colesevelam podem ser utilizados, por não serem absorvidos, mas podem acarretar sintomas gastrointestinais às gestantes, especialmente obstipação intestinal. Estes medicamentos são menos efetivos, têm alto custo, não estão disponíveis na rede pública, além de serem necessárias altas doses.

A LDL-aférese (remoção do colesterol da circulação por um sistema de filtros) é uma modalidade de tratamento que também pode ser utilizada em casos especiais, nos quais o risco cardiovascular da paciente, na ausência de tratamento, é muito alto, como no caso das portadoras de HF homozigótica ou de HF heterozigótica, ou de doença aterosclerótica grave.

As mulheres portadoras de HF em idade fértil e que desejarem engravidar devem receber aconselhamento pré-gravidez e suspender as estatinas, a ezetimiba e o ácido nicotínico, pelo menos quatro semanas antes de interromperem o método contraceptivo utilizado.

É importante destacar que o uso de anticoncepcional oral geralmente não é contraindicado para a maioria de mulheres com HF, e não interfere na eficácia das estatinas. As mulheres com risco aumentado de eventos cardiovasculares devem discutir outros métodos contraceptivos além do anticoncepcional oral.

As pacientes que engravidarem de forma não programada devem suspender esses hipolipemiantes imediatamente e procurar acompanhamento obstétrico. Alguns poucos estudos avaliaram mulheres portadoras de HF que engravidaram em uso de estatinas, com resultados controversos, em relação à incidência de más formações fetais.

A escassez relativa de tratamentos seguros e eficazes para redução dos níveis de colesterol plasmático nessas pacientes se associa à preocupação em relação a efeitos adversos pela própria hiperlipidemia. De fato, alguns trabalhos sugerem um risco aumentado de prematuridade em grávidas com níveis elevados de colesterol.

Embora a maioria dos estudos disponíveis não demonstre eventos adversos fetais significativos associados à presença de HF, recomenda-se o acompanhamento conjunto das gestantes portadoras de HF por um especialista em lipídeos e pelo obstetra. Deve-se estar atento à possível presença de lesões valvares, em particular, de estenose aórtica, e de doença coronariana prematura nessas pacientes. Do ponto de vista obstétrico, também é importante a pesquisa de insuficiência vascular uteroplacentária.

Fonte: Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (HF) publicada nos Arq. Bras. Cardiol. vol.99 no.2 supl.2 São Paulo Aug. 2012.

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Se você tiver colesterol LDL acima de 210 mg/dl e membros em sua família com infarto em idade inferior a 45 anos, entre em contato com o InCor pelo e-mail hipercolbrasil@incor.usp.br enviando como anexo uma cópia ou foto do seu exame de colesterol junto com um número de contato telefônico. A Equipe do Hipercol Brasil entrará em contato com você!

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