Causas, sintomas e tratamento da hipercolesterolemia (níveis altos de colesterol no sangue) – Parte 2 | AHF Colesterol

Causas, sintomas e tratamento da hipercolesterolemia (níveis altos de colesterol no sangue) – Parte 2

No post anterior (veja aqui) descrevemos o colesterol e suas funções no corpo humano, e mencionamos as consequências dos altos níveis sanguíneos do colesterol LDL. Hoje discutiremos os sinais e sintomas da hipercolesterolemia, o diagnóstico e o tratamento.

Sinais e sintomas dos altos níveis séricos do colesterol LDL

Causas, sintomas e tratamento da hipercolesterolemia – Parte 2 IOs altos níveis do colesterol LDL no sangue não produzem sinais ou sintomas, constituindo, consequentemente, um fator de risco cardiovascular que passa despercebido, a não ser que sejam feitos exames sanguíneos de tempos em tempos para medir estes níveis.

  • Exame e diagnóstico

A medida dos níveis de colesterol LDL é feita através de um exame de sangue e os médicos recomendam que, a partir dos 20 anos de idade, este exame seja feito a cada 5 anos.

A amostra de sangue deve ser colhida após 9 a 12 horas de jejum e os resultados normalmente mostram os níveis do colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL, colesterol VLDL (very low density lipoproteins = lipoproteínas de densidade muito baixa) e de triglicerídeos.

Em termos do colesterol LDL, os resultados podem ser os seguintes:

  • Nível ótimo: menos de 100 mg / dl
  • Nível bom: entre 100 e 129 mg / dl
  • Nível limítrofe: entre 130 e 159 mg / dl
  • Nível alto: entre 160 e 189 mg / dl
  • Nível muito alto: 190 mg / dl e acima.

Para o colesterol total, os resultados podem ser:

  • Nível desejável: menos de 200 mg / dl
  • Nível limítrofe: entre 200 e 239 mg / dl
  • Nível alto: 240 mg / dl ou acima

Para o colesterol HDL, os resultados podem ser:

  • Nível baixo: abaixo de 40 mg / dl
  • Nível alto: 60 mg / dl ou acima

Depois de mais de uma década, na qual se recomendava aos médicos tratar pacientes com o objetivo de deduzir os níveis de colesterol a determinados valores, as novas diretrizes do American College of Cardiology – ACC (Colégio Americano de Cardiologia) e da American Heart Association – AHA (Associação Americana do Coração), desenvolvidas em conjunto com o National Heart, Lung, and Blood Institute – NHLBI (Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue) abandonaram esta ideia.

Não há evidência de estudos clínicos controlados e randomizados que apoiem o tratamento acima mencionado de redução a determinados valores. As novas diretrizes recomendam identificar 4 grupos de pacientes que têm probabilidade de se beneficiar do tratamento com estatinas, para prevenir eventos cardiovasculares primários ou secundários. Estes grupos são os seguintes:

  1. Pessoas portadoras de doença cardiovascular aterosclerótica com manifestações clínicas
  1. Pessoas com níveis sanguíneos de colesterol LDL acima de 190 mg / dl, como, por exemplo, os portadores de hipercolesterolemia familiar
  1. Pessoas entre 40 e 75 anos de idade, portadoras de diabetes e que apresentem níveis de colesterol LDL entre 70 e 189 mg / dl, sem evidência clínica de doença cardiovascular aterosclerótica
  1. Pessoas sem evidência clínica de doença cardiovascular aterosclerótica ou de diabetes, mas com níveis sanguíneos de colesterol LDL entre 70 e 189 mg / dl e um risco de doença cardiovascular aterosclerótica em 10 anos maior que 7,5%.

Tratamento e prevenção da hipercolesterolemia

Causas, sintomas e tratamento da hipercolesterolemia – Parte 2 IISão recomendadas quatro mudanças de hábitos de vida para todas as pessoas portadoras de altos níveis sanguíneos de colesterol LDL, inclusive as que recebem tratamento medicamentoso, para diminuir o risco de doenças coronárias ou de infarto do miocárdio:

  1. Coma uma dieta saudável (por exemplo, use coberturas e molhos com baixo teor de gordura e evite alimentos ricos em gordura saturada; coma legumes, frutas e grãos integrais ricos em fibras)
  2. Faça exercícios físicos regularmente (o exercício físico é um hábito que pode diminuir os níveis sanguíneos de colesterol)
  3. Não fume
  4. Atinja e mantenha um peso saudável

Tratamento para diminuir os níveis de lipídeos (gorduras no sangue)

Causas, sintomas e tratamento da hipercolesterolemia – Parte 2 IIIA meta de redução de lipídeos do tratamento medicamentoso de um indivíduo portador de hipercolesterolemia dependerá dos seus níveis de colesterol LDL e de outros fatores de risco, mas as estatinas são geralmente reservadas para as pessoas portadoras de risco mais alto de infarto do miocárdio; a dieta e os exercícios físicos são a primeira linha de tratamento para a diminuição dos níveis sanguíneos de lipídeos.

Os níveis de colesterol LDL, em relação aos quais a dieta e os exercícios físicos são recomendados variam entre 100 e 160 mg / dl, o nível mais baixo quando outros fatores de risco estão presentes.

Os medicamentos redutores de colesterol, como as estatinas, são recomendados, dependendo dos riscos gerais de infarto do miocárdio, quando os níveis de colesterol LDL estão entre 130 e 190 mg / dl.

As estatinas (também conhecidas como inibidoras da redutase HMGCoA) são o principal grupo de medicamentos redutores de colesterol LDL; os demais medicamentos são inibidores seletivos da absorção do colesterol, resinas, fibratos e niacina.

As estatinas disponíveis no Brasil são, em ordem alfabética:

  • Atorvastatina
  • Fluvastatina
  • Lovastatina
  • Pravastatina
  • Rosuvastatina
  • Sinvastatina

A segurança das estatinas

A prescrição das estatinas tem causado debate na comunidade médica nos últimos anos, pelo maior entendimento dos efeitos colaterais associados a estes medicamentos.

Enquanto que muitos pacientes se beneficiam bastante com o uso das estatinas e do consequente menor risco de um infarto do miocárdio, um número significativo de pacientes são acometidos efeitos colaterais, entre os quais estão miopatia e fadiga induzidas pelas estatinas e um maior risco de diabetes e de suas complicações. Estudos observacionais indicam que 10 a 15% dos usuários de estatinas desenvolvem efeitos colaterais musculares, como mialgia e miopatia.

Finalmente, recomenda-se que quaisquer pessoas que queiram verificar os seus níveis de colesterol sanguíneo devem consultar um médico e seguir as recomendações dele.

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A Hipercolesterolemia Familiar é uma doença genética que causa níveis muito aumentados de LDL colesterol no sangue de seus portadores. Por causa disso, estas pessoas estão sob um risco muito aumentado de infarto do coração. Se você tiver colesterol LDL acima de 210 mg/dl e membros em sua família com infarto em idade inferior a 45 anos, entre em contato com o InCor pelo e-mail hipercolbrasil@incor.usp.br enviando como anexo uma cópia ou foto do seu exame de colesterol junto com um número de contato telefônico. A Equipe do Hipercol Brasil entrará em contato com você!

Continue visitando o nosso site para aprender mais sobre a HF. Leve esta notícia ao seu médico. Espalhe que a HF é tratável, quanto mais cedo diagnosticado melhores são os resultados. A HF é familiar, passa de geração em geração, portanto todos precisam ser diagnosticados.

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